Amizade à primeira vista (?)


Em 21 de julho de 2010 por linhaseversos

(Dedicado em especial a Vitor Hugo)

É no mínimo curioso. Quantas vezes ao longo da vida fitamos alguém e declaramos com a voz da alma: “Te conheço de algum lugar… Mas de onde?” Pois é. Tem sido assim com algumas pessoas que cruzam meu caminho e meus descaminhos.

Woody e BuzzDigo: é de uma rara mútua identificação, com canal aberto para diálogo espontâneo, despido daqueles tais discursos formais que tomam os estranhos. Alguns chamam de afinidade; outros caem no lugar-comum, “coisa de outras vidas”. Para certas ocasiões, vale até a providencial falha de memória.

Surpresa com o súbito desligamento de um colega de trabalho (e amigo), decidi reservar estas linhas para falar da “amizade” à primeira vista. Muitos podem retrucar: “Amizade se constrói”. Claro. Sem dúvida, tudo na vida é construção: amor, amizade, família, profissão e todos os laços mais nobres que envolvem os seres humanos. Mas, se não costumo apostar minhas fichas aleatoriamente, já que não é da minha essência, vale o “feeling”. Eu sinto. Eu pressinto. Eu acredito. Tenho fé. E, como diz o rei: “Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada”.

E aí a vida começa a valer a pena.

Porque não existe abraço mais caloroso que o das almas. É mais confortante que qualquer frase pronta ou inusitada. Ocorre imediato cruzamento de luzes. E a troca solidária de energia se dá em saudável equilíbrio. Não há, pois, a relação de sanguessuga, a sobrecarga, o desgaste, a asfixia. Há, sim, o frescor necessário, na dose certa, para saudar o dia e a tarde. Quase com o gosto especial de churro recheado com doce de leite. Uma alegria-matinê.

A amizade à primeira vista,  a que me refiro aqui, tem peso de pluma e valor imensurável. É de um vermelho-intenso-rubi. De um verde-esmeralda translúcido na sua esperança. Ela vem sem grandes missões. Vem para poetizar a vida um pouco. Para fazer o homem olhar a paisagem além do vidro do carro. Para acariciar o coração. Para banhar os olhos sem data especial. Para revitalizar a emoção guardada, quase mofada na gaveta. Para colorir o minuto cinza de preocupação, tensão ou conflito. Vem para gargalhar gostoso e chorar sem vergonha.

Em demoradas e rápidas visitas, vale aqui a amizade à vista, sem prazo, para as vidas.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 21 de julho de 2010)

Comentários (3) | |

3 comentários to “Amizade à primeira vista (?)”

  1. Luciana Disse:

    Depois dessa… Só tomando um chá com Dona Marocasssssssssss. RSSSS.
    Bjks,
    Lu

  2. juliana peron Disse:

    Parabéns! Lindo! Beijos

  3. Luana Mercante Disse:

    Ju, que texto maravilhosoo! Adoro seus textos!!

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