Apascento (entre aspas e acentos)


Em 19 de abril de 2012 por linhaseversos

Falo pouco
Escrevo menos ainda.
Entre bandeiras
E escolhas,
O tempo de agora.
É uma lacuna
Em dias púrpuros.

Não há espaço
Para melancolia
Nem resignação.
O futuro ruge
Enquanto escorrem
Pela garganta
Gotas de limão.

O silêncio
Amargo
Azedo
Reserva
O doce laranja lima.
A voz se interrompe:
Pausa… Prazo.

Sinto com a razão;
Meu coração é órgão.
Fecho-me para o segundo
(que se foi)
Faço dos ponteiros flechas.
A busca é analógica.
Escorrego na curva
Dos números.

Guardo as letras nos pés.

Fecho-me:
Casulo de mim
Na cápsula do mundo.
Emudeço e umedeço
No ventre da mãe-terra.
Resguardo sem pressa
Minha prece:
poesia com sangue e vinho.

Renasço do aço no laço
De poemas castos.
Os dias embranquecem,
Palavras voam.
Repouso asas coloridas:
Meu minuto e só,
Cheiro prosa laranjeira.

Alívio… Aleluia!

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 05 de abril de 2011)

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