/Ch/ove súplica sem parar


Em 22 de abril de 2010 por linhaseversos

Enaltecendo letristas e intérpretes nordestinos
Oh! Deus, perdoe o homem insensato
Em súplica sob ou sem telhado
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso que o sol se retirou
Fazendo cair toda chuva que há

Só ela para desabar
Desafiadora e demasiada
Fazendo o homem desbotar-se
Abaixar-se e enxergar
Sua mesquinhez em charcos
Escorregar em solo encharcado
Há muito negligenciado
Chafurda o homem
Em xadrez descompensado
Da chispada da chuva
Chia chama chama chia
Em ressacas de lágrimas maculadas

Oh! Deus, perdoe a chusma
Acho que chove culpa
Do pobre do rico da cúpula
Na falta de razão
Na deseducação
Do soberbo do suburbano
De quem só tem pedido em oração
Na luta por solução
Em busca da salvação
Sem partir para luta e mobilização

Até para rezar
É preciso esmero
Até pra rezar
Há de se desaguar
Em poço sincero

Oh! Deus, perdoe o homem
Sua soa sofre a criatura sua
Na lama no limo na rua
E teima e sofre e sua
Sem sol sem luz sem lua

Sobrancelhas arqueadas desenham
O avesso do refinado poder
Diante de mais um triste espetáculo
Com roteiro acadêmico
Sem solução ecumênica

Eis a peça no quebra-cabeça
Da catástrofe no apóstrofo
Entre travesseiro e travessuras
Em travessias de insônia e insensatez
Esconde-se suspende-se
Desculpa-se por perder a honra
Por pedir a toda hora
Pra chegar o inverno
Para acabar com o inferno
Que o faz pelejar

(Juliana I. Bulhões – RJ, 07/4/10)

Comentários (3) | |

3 comentários to “/Ch/ove súplica sem parar”

  1. MiLena Simões. Disse:

    Muito bem bolada essa poesia, Ju !!

  2. rafaela Disse:

    uau!
    lindo tudo; a segunda estrofe: um primor, contudo!

    beijobeijo

  3. Luciana Cantanhede Disse:

    Qando a chuva cai , ela queima!
    Bjs,
    Lu

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