(Cria)cão s(ó)ssego


Em 27 de fevereiro de 2011 por linhaseversos

Sobre todas as coisasA persistência da memeora
Custa-me escrever.
Preciso moldar as imagens
Que me são tão íntimas…
Preciso universalizá-las!
Apresentá-las ao leitor!
É necessário solidariedade.

Os textos são assim:
Depois que nascem, têm vida própria.
Um adeus solene ao criador!
Percorrem mentes,
Embolam-se em línguas,
Mergulham em salivas,
Voltam para o papel.

Digeridos,
Decorados,
Recitados,
Relidos,
Recriados,
Admirados,
Rejeitados.

Parênteses:
Não há cinismo no ato;
Leitor não finge empatia.
O marcador acusa a rejeição
Em seu repouso absoluto.
As reticentes páginas não chegam…
Despedem-se.

Gerir,
Gerar,
Texturizar,
Textualizar,
Contextualizar,
Libertar…
E p(r)onto!

Preciso tecer versos.
Vale a vida como se faz,
Valem todas as verdades:
Dolorosas, saudáveis e conquistáveis.
Vale a alma
No corpo dos planos
E no plano dos corpos.

De terracota pinto o meu coração,
De verde-água pinto minha criação.
Deixo-a respirar, fluir, esperançar…
Depois deito na minha imaginação.
Repouso rápido e solitário.
Ponteiros preconizam despertadores.
Acordes!

Vivo os minutos derretidos,
Atropelo-os quase sempre.
Às vezes paro tudo;
E eles passam por mim,
Por todas as coisas,
Pelo céu dos meus olhos…
Sinto os dias escorrendo.

Sirvo-me de velocidade.
Pra que tanta velocidade, meu Deus?
(Nada vai correr no meu ritmo de pensar…)
Agora o momento é outro:
Minha alma pede calma.
Preciso me banhar dela,
Mergulhar-me em batismo.

S(ó)ssego.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 27 de fevereiro de 2011)

Comentários (2) | |

2 comentários to “(Cria)cão s(ó)ssego”

  1. RICARDO RJBR Disse:

    Show!

  2. Jorge Marques Disse:

    como sempre ela se supera a cada palavra escrita e falada. Te amo.

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