Diálogosss de Carnaval


Em 12 de março de 2011 por linhaseversos

– José, e esse champanhe que você ganhou?
-Ué, vamos aproveitar pra comemorar a casa nova!
-Agora você enche a boca pra falar casa nova! Admitiu, então, que a parede laranja ficou ótima…
– Eu não gosto é quando você vem pra cá dando ordem. Mas ficou bom sim.
– Mãe, a casa está com outra cara mesmo! Ficou mais aconchegante e puxou os tons dos quadros.
– Gostou dos tapetes, Jorge? No inverno, José, você tem onde descansar os pés. Passa o pé, Jorge! Não são macios?
-Minha sogra, a casa ficou muito bonita realmente. Como a tinta de uma parede faz diferença!
-José, não quero saber! Você tem que conservar os tapetes como eu deixei.
– Ah! Vai plantar batata, Georgina! Sou eu que moro aqui!
-Não quero acreditar! Faço as coisas com carinho pensando no conforto da família… A vida inteira essa luta. Um atraso!
-Mãe, você conhece meu pai há mais de quarenta anos, e não aprende. Você vai virar as costas, ele vai tirar os tapetes. Deixa pra lá! Quando a gente vier, coloca os tapetes e pronto.
-E essa chuva! Não quero acreditar! Há quarenta anos eu venho pra cá e é sempre a mesma coisa: chove sem parar, a ponto de a escada criar limo. Olha essas paredes! Não adianta! Não dá pra morar aqui; todas as casas sofrem com a umidade constante…
-Mãe, estamos praticamente no meio da Mata Atlântica! É muita umidade porque Paraty conjuga serra e mar.
-Carla, e a chuva? Vai atrapalhar a venda de vocês… Mas, me diz, gostou da parede laranja?
-Gostei. Ficou ótima!
-Não acabou! Vai ao quarto pra ver… Gostou?
-Hãhã.
-Marina, gostou da arrumação que a vovó fez? Ficou melhor pra a gente pular carnaval aqui na sala mesmo! Isabel, canta pra vovó: “Meu lanchinho, meu lanchinho…”
-Titia, qual é minha fantasia mesmo?
-Da Carmem Miranda.
-Titia, olha a minha sapatilha.
-Que linda, Marina! É da fantasia…
-Juliana, vocês já vão descer? Vou fritar um peixinho…
-Mãe, frita o peixe no fubá. Minha avó só fritava no fubá com cebolinha…
-Ah! Vou fritar no trigo mesmo!
-Minha sogra, o peixe fica mais crocante no fubá.
-Está bem, então!
-Mãe, vou comprar pirão e aipim frito na Estela…
-Minha filha, vê se o Junior, Thaiany e a Duda querem ir com vocês pra dar uma voltinha.
(…)
-“Não quero acreditar!” Que chuva é essa! Vou me vingar! Quando o carnaval acabar, vou pegar um carro quatro por quatro e vou levar essa cerveja todinha pro Pico da Burra… “Quer cervejinha, quer? Então, toma!”
– Só você mesmo, Julio! Palhaço! Lembra minha mãe no carnaval passado? “Não quero acreditar! O cachorro mijou em mim!”
-Falando nisso, cadê minha mãe e meu pai?
-Saíram pra comprar alguma coisa, Julio.
-Vou imitar minha mãe chegando: “José, sobe logo com isso! O quê? Que moleza, José! Jorge, já pode ir fazendo a comida! Duda, tá gostando? Julio, liga esse som! Marina, carnaval! Huu!”
-“Não quero acreditar!” A clássica, Julio.
-kakakaka E meu pai? Acaba de subir as escadas bufando e coloca as mãos na cintura…
-kakakaka É mesmo!
Cinco minutos depois, Georgina – a autora do bordão “Não quero acreditar” chega e faz exatamente tudo conforme Julio previu. E a família toda:
-kakakakaka!!!
(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 12 de março de 2011)

Comentários (3) | |

3 comentários to “Diálogosss de Carnaval”

  1. Maria Eduarda Disse:

    Adorei, Juliana ! Muito bom… Georgina faz várias coisas ao mesmo tempo, ” Não quero acreditar !” beijos, ÓTIMO !

  2. RICARDO RJBR Disse:

    Seus e-mails, estão indo pra minha caixa de lixo não sei porque!
    vlw bjs;

  3. rafaela Disse:

    hahahahaha
    é genética mesmo a comicidade! _fato!

    =*

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