Entre amigos


Em 20 de julho de 2012 por linhaseversos


Uma interseção de almas
Na tangência das palmas
Ao peito afoga afaga
O sopro à dor apaga
Mistura paladares em lamas
Caldo de cana fiapos de manga
Ganha outros sabores
Em momentos redentores
Jabuticaba amora tamarindo
Ao correr (ou arrastar) dos anos resistindo.

Transborda no tempo da desobediência
Equilibra-se na linha da incoerência
Lambuza-se com algodão-doce
Despetala-se como se alcachofra fosse
É doce é melada é grude
É boneca de pano é bola de gude
É lápis de cor é pincel é giz de cera
É  bala de coco é pastel de feira
Faz sujeira faz bagunça faz lambança
Contempla ao porto da esperança.

Devorada com refrigerante pipoca
Ao som de festa com milho tapioca
Derramada em cascatas cachoeiras
Entre subidas descidas de goiabeiras
Degustada com chá suco vinho
Aquecida perdoada com carinho
Invade os minutos atropela os ponteiros
Resistir é urgência respeitar é ordeiro
Vive no tempo da responsabilidade
Faz cócegas na barriga da austeridade.

Reserva recuos retiros casulos
Absorve oferta verbos maduros.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 20 de julho de 2012)

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