Estar(-se)


Em 15 de setembro de 2010 por linhaseversos

Mais parecemos líquidos do que sólidos
Escorregamos de nós mesmos
Na busca de uma trajetória fixa
Fixar-se é luta insana

A estabilidade é invenção
Meio de controlar o homem
E organizar a sociedade
O cais é interior
E depende de um tempo psicológico

O ser é em verdade um estar
Indefinido em essência
É construção e demolição
Obra inacabada

É teia que nunca está pronta
A própria sobrevivência (o/a)briga buracos
Nem sempre remendados com o tempo

Somos nuvens que se desenham
O sopro de um vento impondo outras direções
Dispersamos como vapor
Renovamos como células
Em velocidade de nossos anseios e necessidades.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 10 de abril de 2010)

Comentários (3) | |

3 comentários to “Estar(-se)”

  1. rafaela Disse:

    eu vim aqui, como quase sempre o faço, conferir a fase boa tão… catártica da minha amiga, e dou de cara com aquele post lindo ali em cima.
    então, resolvi descer a este – para serenar o coração comovido.
    mas já volto ali…

  2. RICARDO BA$$MAN Disse:

    É uma verdade, mas que deveremos prosseguir.
    E uma tendência. Lindo, triste e feliz mas que não podemos fugir e nem nos esconder…
    Parabéns! Lindo e importante.
    Adorei bjs, abçs e sussesso!!!

  3. kátia Doanato Disse:

    Ao ler seus versos, sempre me chega à memória nossas trocas, aflições, dúvidas, conquistas, pequenos pedaços de alegria partilhada através de sonoras gargalhadas, num mosaico que, apesar de distante no tempo e no espaço, ainda povoa o universo da emoção.
    Por caminhos diferentes, vamos seguindo… Mas há um quê de congruência que nos une: o saborear a vida, a busca incansável de sorvê-la em todos os sentidos: cheiros, paladares, sons, cores, formas…
    Seus textos refletem a bela pessoa que és…por dentro e por fora…
    Beijo no coração.

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