Josu(É)


Em 13 de abril de 2010 por linhaseversos

Josué era feliz como nem sabia
Brincava de ser ele toda tarde todo dia.

Subia em árvores de jabuticaba de goiaba de abricó
Era danado de arisco como si só.

No lugar dos pés e das mãos parecia possuir garras
Em malabarismos e manobras seu corpo não tinha amarras.

De cabeça para baixo via o mundo invertido
Tudo não passava de céu colorido e chão indefinido.

Sentia-se enorme e leve no mais alto dos galhos
Até alcançá-lo passava por retas curvas e atalhos.

Não falava não ria muito menos chorava
Como aprendiz de natureza a tudo observava.

Cobria o corpo com terra varria-o com mato
Brincava com Deus de morte e vida em rito e ato.

Comunicava-se com pássaros alimentava-os na palma da mão
Exaltava a natureza traduzida em nota musical e oração.

Desejava em alma voar com letras em caules seu nome gravar
Através das árvores escapar do anonimato e enfim se imortalizar.

Curioso quis aprender a ler e escrever, mas não imaginava não sabia
Que leituras de outras naturezas também escalaria.

Nunca conversara com jornais nem brincara de príncipe rei ou presidente
Logo aprendeu que a história de seu povo se fez com lei sangue e corrente.

Antes não lhe interessavam as folhas dos livros via-os distantes e exibidos
Entre heróis e bandidos as histórias só lhe chegavam pelos ouvidos.

Concluiu então que o mundo não era o pouco adiante do quintal
As letras abriram-lhe as portas para edificar o seu cabedal.

Longe daquela terra dos pássaros da sua quimera
A ele apresentaram-se homens de luz de treva de paz e de guerra.

Sem medo ou disputa
Leu no mundo seu luto sua luta.

Levá-lo-ia o saber à opinião à luz à libertação após séculos de escravidão
E descê-lo-ia às trevas para ver o homem preso à sua própria escuridão.

De letra em letra colocaria na História reticente seu próprio ponto
Usaria a seu favor o velho tronco a fim de escrever um outro conto.

Resolveu então escrever com fé
Rimando simplesmente Josué com Javé.


Gravou seu nome na árvore escreveu-o na terra desenhou-o com folhas
Apagou espalhando com os pés e riscando com as mãos até criar bolhas.

Comeu minhocas cobriu-se de folhas respirou terra varreu-se de penas
Dividiu-se em grãos espalhou-se com o vento por céus mares e lendas.

Viu-se voando no contorno de nuvens com olhos de águia
Sobrevoando vulcões geleiras cordilheiras clareiras serras e águas.

Não lhe serviria mais brincar de cartilha com letras de macarrão
Bordaria seu mundo com linha de pipa e salvar-se-ia em coração.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 12 de abril de 2010)

Comentários (9) | |

9 comentários to “Josu(É)”

  1. MiLena Simões. Disse:

    Caracaaa ! muito lindo esse texto, Ju ! Gostei pra caraaaaaambaaa ! 🙂
    Beejios.

  2. Juliana Izabeli Disse:

    Muito legal, não é? Também gostei muito dele… 😉

  3. Nathália Soares Disse:

    Adoreei Ju ! Muito lindo, parabéns 😀

  4. Juliana Izabeli Disse:

    Obrigada! 🙂

  5. Luciana Cantanhede Disse:

    Isso é q nos salva!! Eu tenho 1 pouco de JOSU(É)!!!Vc tb!!!!!!!

  6. Juliana Izabeli Disse:

    Claro! rsrs 😉

  7. Yasmin Rodrigues Disse:

    AH, NÓS TRÊS TEMOS BASTANTE DE JOSUÉ, HEIN! KKKKKKKKKKKKKKKK

    Amei, Ju! Cada vez que leio me envolvo e apaixono mais e mais!
    Tu escreve muito, mulé!

  8. rafaela Disse:

    tão bom te ver assim em linhas&versos, amada…
    lembrou-me do José… mas Josué acabou descobrindo ‘pra onde’!

    ;*

  9. Juliana Izabeli Disse:

    E eu não sosseguei enquanto não desenhei Josué em letras.
    Beijos, amada!
    🙂

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