Menino Jesus


Em 24 de dezembro de 2012 por linhaseversos

É tempo de colocar-te no colo,
Sentir tua alma cândida,
Acalantar-te sob olhos e estrelas,
Ouvir o sino de Jerusalém.

Não é tempo de pedir a ti;
Teu corpo miúdo requer zelo.
Podes ficar em minha casa,
Sob minha guarda.
Minha casa é tua,
Teu templo é meu.
Sou parte do teu rebanho
Quero vigiar tua respiração.
Faz em mim tua sentinela.
Acredita: é só humildade.
Sou eu, inteira, sem frestas e frações.
Despida de qualquer vaidade.

Eis meu canto à espera
Do teu encanto.
Eis minha alma aguardando
A ternura da tua.
Eis minhas mãos aguardando
A feitura que se faz em ti.
Eis minhas pernas prontas
Para carregar-te por léguas.
Eis meu colo (mais uma vez)
A desenhar com braços e ventre
A manjedoura (e)terna.

Vem, meu menino!
Quero ninar a ti somente
E fazer a ceia no coração.
Sob meus olhos, és demasiado humano!
Sob minha vigília, és tão meu quanto meu filho.
(Que bobagem, Menino! Tudo aqui é teu…)
Sob minha fé, és tão divisível quanto o pão.
Sob minha crença, és tão divino quanto o Pai.

Não te espantes com a humanidade…
Ela jamais aprenderá lições de tamanha grandeza.
Não seguirá teus passos revolucionários.
Não experimentará a magnitude dessa entrega.
Não compreenderá a riqueza espiritual.
Não exercerá a justiça em sua plenitude.

Meu Menino, podes adormecer nos meus braços!
Não te queixarás de Deus, dos homens (ou do Poeta).
O eu já não é lírico, filosófico ou religioso.
O eu é uma existência em 24 horas de extrema candura.
Uma necessidade pura de ser e estar para ti.
Eu o mimo, eu o nino.
Eis meu Menino-Deus, meu Deus-Menino.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2012)

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