O casamento do ano: opostos + apostas = movimento econômico Um conto de fadas em tempos pós (modernos) e pré (apocalípticos)


Em 25 de abril de 2011 por linhaseversos

As manchetes das últimas semanas são repetitivas e imprimem a tentativa de resgatar o tradicional conto de fadas: era uma vez uma plebeia e um príncipe que viveram felizes para sempre.

Vamos lá. Diana deu origem à série pós-moderna em 1981. O trajeto na carruagem e a entrada da Princesa na Catedral St. Paul’s – Londres, Inglaterra – marcaram até mesmo a minha infância, uma vez que eu estava iniciando no rumo viagem por letras encantadas. (Depois, ingressei, cá entre nós, no ramo “viajando na maionese”, mas isso não vem ao caso agora.)

A suntuosa cerimônia – real, britânica e literária – foi acompanhada pela tevê (de tubo, em cores ou não) e por não sei quantas mil pessoas nas ruas londrinas. Quem não se lembra daquele belo rosto coberto por um véu digno de princesa virgem, tão exageradamente majestoso quanto à cauda ao longo dos degraus? Este último detalhe revela-se mais uma bela metáfora de ascensão social. Ufa! Quanta coisa… Cansei.

Acredito que, após tanto envolvimento com causas sociais nobilíssimas pela África, a morte trágica de Diana, em 1997, foi decisiva para lhe conservar um título além-túmulo. (Uma tragédia bem diferente daquela contemplada e aplaudida no teatro elisabetano de Shakespeare.) Não tenho dúvida: a Princesa de Gales será sempre ela. Pelo menos na memória do povo, cujas ilusões são nutridas pelos fantasmas de contos de fadas e pela mídia especulativa.

Caro leitor, o Príncipe William e a futura princesa Kate Middleton são realmente lindos e trazem consigo aquele semblante digno de realeza. Isso é indiscutível. Agora, se felizes ou juntos permanecerão para o resto de suas vidas ou se o rapazinho vai repetir a história do pai nos detalhes sórdidos, não faço ideia.

O fato é que há uma galera ganhando ou tentando ganhar dinheiro com isso. O custo, já anunciado pelos jornais em letras garrafais, chega a 12 milhões. Só a cópia do anel de noivado que William deu a Kate é vendida por até US$ 500 mil por joalheiros. Mais as apostas e especulações… Enfim, a economia está em movimento bem mais acelerado do que o ritmo de carruagens.

Nada contra. Acho graça até. Torço pela felicidade, sempre. Só não posso perder a piada, meu humor lapidado e meu senso crítico, é lógico. Deus salve a rainha e a princesa, para sempre felizes, e conserve a plebe, para sempre sonhadora e vassala. Estou mais para bobo da corte. Fui!

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 25 de abril de 2011)

Comentários (8) | |

8 comentários to “O casamento do ano: opostos + apostas = movimento econômico Um conto de fadas em tempos pós (modernos) e pré (apocalípticos)”

  1. Faby Cossenza Disse:

    Passei por aqui… li tdo…
    Mt bom!
    Qndo eu crescer quero ser igual a vc… Uhuahuahaua!!!
    Bjcas e SUCESSO!

  2. Marcelo Pereira Guimarães Junior Disse:

    Muito bom, Muito bom mesmo!!
    Continue escrevendo bem assim, ainda quero te ver como imortal na academia!
    Ate, te amo

  3. rafaela Disse:

    não ligo p…!

    enquanto isso, outros milhões… de pessoas [sobre]vivem na miséria, passam fome… e a mídia nem aí!

    e a dignidade: quem compra/vende?

  4. sirlene lima Disse:

    prof amei o texto criativo muito senso de humor

  5. Raquel batista Disse:

    gostei muito do texto. Você sempre espirituosa!

  6. Raquel batista Disse:

    gostei muito do texto.Você sempre espirituosa!

  7. rafaela Disse:

    quedê mais?!

    =*

  8. X_@LuccaCesar@_X Disse:

    Muito bom! Muito bom mesmo! Parabens! Espero que vc poste muitos textos tao bons assim!
    bjs!

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