Ou(tom)no


Em 10 de maio de 2010 por linhaseversos


Em soro límpido
Despede-se o escarlate
Caindo em dominó de telhas
Nas terras vermelhas.

Outrora atrevido
Agora se precipita descolorido
Escorregando no caramelo das calhas
Encharcando grãos
De terra grã e de grão fino.

Ventam asas coloridas
Rumo a ponto cordial.

Entre bulbo úmido
E mercúrio prateado
Salienta o som sereno
Do longínquo esverdeado.

Não há bússolas
Talvez só bossas nossas
Um sopro um soprano
Um solo um sol
Notas de Cartola e Noel
Em moinho de rosas.

O tom de palha parda
Impõe outro ritmo
Em arabescos
De um rebuliço
No redemoinho
Com impressos
E invólucros
Pelo caminho.

Crackam folhas
Em luto ressequido
Lixo humano bruto
Luxo natural líquido

Esquivo fugidio
Desponta pálido o sol.

Paralisam-se
Músculos
E ponteiros
Diante da boca muda
Da manchada face desnuda.

Na poça lisa
Reflete invertida
A oscilação natural
Em tom frugal.

Repousa a última gota
Como borboleta azul inerte
O instante cinza derradeiro congela
O adeus ao vermelho veraneio desvela.

Uma lágrima furta-cor dilui
Águas turvas e cristalinas.

A inércia de branca introspecção
Imerge lança o se reflexivo
Desafia o negro o obscuro senão
E o ar úmido desenha em esfumaçados
Lótus inócuos eunucos.

São outras copas cabanas
Emissários em barras de bacanas
Outra demanda laranja
Manda e desmanda
É a lama é a lama é a lama.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 09 de maio de 2010)

Comentários (1) | |

Um comentário to “Ou(tom)no”

  1. rafaela Disse:

    depois da primavera, é a minha estação preferida… ou preferida pela alma.
    em corpo, sou mais pras flores q folhas… mas as folhas são boas pra escrever, né? =)

    beijos

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