Signos (Supra)linguísticos


Em 23 de novembro de 2011 por linhaseversos

A convivência com jovens me faz refletir frequentemente sobre as possibilidades da nossa língua ‘mãe gentil’. Com as novas gírias, que nascem e morrem na boca da geração criadora, palavras triviais têm seu significado revitalizado na onda da comunicação globalizada, que atende à expectativa da verbalização minimalista nas redes sociais.

Embora não morra de amores pela sociolinguística, devo assinalar que há diferenças quanto ao nível socioeconômico ou mesmo grupos e tribos pelos quais os falantes circulam. O ambiente escolar, por exemplo, cria inegavelmente um padrão na fala dos adolescentes.

Vejamos alguns casos que me estimularam a escrever este despretensioso texto.
‘Partiu!’: verbo intransitivo que, apesar de estar conjugado na terceira pessoa do singular, imprime ideologicamente a marca da primeira pessoa ‘eu’ e significa “estou indo agora”. Uma substituição do quase ‘arcaico’ “FUI”, sem precisar colocar recadinho na geladeira, é claro; basta publicar no facebook. Exemplo: “Partiu aula de violão…”

‘Chupa!’: forma imperativa utilizada em situações que despertam raiva, inveja ou qualquer coisa parecida no colega, seja ele alienado, “nerd” ou nenhuma das alternativas anteriores. Uma possível redução da expressão também popular “chupa essa manga”. “Exemplo: “Ah! Tirei 8,0 em Português… Chupa!”

‘Tenso!’: adjetivo que significa preocupante. Nenhuma novidade até aqui. O curioso, portanto, não é o sentido, mas a quantidade de vezes que os adolescentes empregam tal vocábulo durante o dia, modificando palavras substantivas genéricas como: “A parada tá tensa” ou “O bagulho é tenso”. Enfim, tudo anda tenso para eles, em estado permanente ou transitório.

“Morri!”: verbo utilizado em sentido figurado, que expressa hiperbolicamente surpresa diante de uma situação engraçada, curiosa ou inusitada. Exemplo: “Minha prima de três anos disse ‘Dá licença, que eu vou twittar’… Morri!”

‘Fato!’: palavra originalmente substantiva que pode significar ‘verdade’, ‘exato’, ‘concordo’ ou ‘sem dúvida’. Está muito mais para opinião do que fato propriamente dito. Exemplo: Ao compartilhar uma charge ironizando as aulas de Matemática, os alunos com dificuldades na disciplina comentam “Fato!”.

Prova? Tenso! Partiu recreio! Até mais…

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2011)

Comentários (2) | |

2 comentários to “Signos (Supra)linguísticos”

  1. RICARDO BA$$MAN Disse:

    Eu por exemplo, não uso tantas gírias, mas no entanto exagero nas abreviações. Ex: kd vc, bn=boa noite, obg=obrigado! E etc…
    Sei que não é bom ficar digitando assim, pois uma vez fui fazer um trabalho no pc, acabei na dúvida de algumas palavras pelo fato de abreviá=las tanto..escrever !
    Mas adorei o texto, parabéns!
    bjs, abçs e bom fds! Xau!!! kkk

  2. rafaela Disse:

    hahaha
    ‘dorei!

    =*

    (L)

Deixe seu comentário