Solilóquio de (dez)embro


Em 28 de dezembro de 2010 por linhaseversos

Mais um ano (ou menos). Contagem regressiva.Brinde a 2011

Não posso esquecer a lentilha, a romã, as sete ondas e o prosecco. O problema é que eu tenho um caso, uma relação bandida com o Brut: degusto, bebo, exagero, depois não o quero por perto.

Não posso esquecer: devo dar alguns telefonemas para parentes e amigos mais próximos. Mas, antes disso tudo, preciso deitar no colo do mar de Paraty. Sentir-me menina novamente. Sentir meus cabelos, agora curtos, bailando livres em ondas.

Não posso esquecer: a roupa que me vestirá. Comprei um short jeans e uma blusa branca, cuja malha é tão leve quanto desejo que seja 2011. Pessoas e coisas pesadas me dão “gastura”. (Colocamos o peso que nos convém em problemas e na vida.).

Não posso esquecer: minha sandália rasteira com cara de chinelinho chique (sempre). Meus dois pés fincados no chão não me privam de desejos, sonhos e poesia. Nasci poesia, vou morrer poesia. Ela está em tudo. Tenho meus sentidos aguçados para senti-la, percebê-la, incorporá-la. De repente, ela salta de pirulitos e balões que brincam entre banhos de chuva da infância. De repente, ela está lá, nas conchas em cacos, que rolam pela areia.

Não posso esquecer: música e um livro para dar início à primeira leitura do ano. Assim, refaço-me em letras nos momentos de silêncio ou de música. E, então, mergulho em mim, lanço-me nas minhas histórias, encontro minhas personagens, de(v)coro palavras e rabisco meus textos.

Não posso esquecer: bloqueador solar. Além da proteção necessária para a pele no resto dos tempos, minha nova aquisição precisa ser preservada: a tatuagem. “Os espinhos são uma defesa contra quem não sabe lidar com ela”. Perfeita: minha rosa negra está marcada na minha pele e na minha história.

Não posso esquecer: água doce. Água de mar resseca a pele, dá ressaca e sede. É preciso deixar a água salgada levar as impurezas da alma, a água doce lavar o corpo e hidratar a matéria. Fluxos antitéticos absolutamente necessários.

Não posso esquecer (nunca esqueço): devo abraçar minha família, envolvê-la em energia sã, entre águas de prosecco, mar e suor. Senti-la, movimentá-la em laços e afagos.

Ah, meus desejos para 2011…

Desejo prosecco a cada três ou quatro meses.
Desejo que pessoas queridas não percam a alegria e a fé.
Desejo que eu não perca minha meninice.
Desejo leveza e paz.
Desejo poesia.
Desejo belas músicas, leituras e escritas.
Desejo mais rosas, menos espinhos.
Desejo águas e fluxos.
Desejo consumo consciente de água.
Desejo o que me é verdadeiro, inerente e indispensável: minha família com saúde para em mim viver sem me esgotar.

Não posso esquecer (nunca esqueço): devo agradecer a Deus antes de tudo.
Desejo Deus nos lares e nos corações de todos: dos que me são caros e dos que me são calos.
Ai, meu Deus, perdão pela gula! Mas salada de bacalhau e rabanada…

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2010)

Comentários (5) | |

5 comentários to “Solilóquio de (dez)embro”

  1. Claudyane Alves Disse:

    Ah… Minha professora escrevendo muito bem (como sempre.).

    Será que um dia vou conseguir escrever tão bem quanto a senhora…?

    Bjjs!

  2. Julio Disse:

    eita cachaça!!!
    Pular sete ondas é fácil, quero ver pular o barro que nos cerca!

  3. Rafaela Disse:

    bom para saber que o que engorda não é o que se come entre o natal e o ano novo, mas entre o ano novo e o natal! 😉
    haha

    desejo o desconhecido! desejo, sobretudo, o desconhecimento sobre a vida: só assim se pode compreender o que ela realmente é… [sem enlouquecer]. =)

    beijo
    (L)

  4. RICARDO BA$$MAN Disse:

    (D)sejaria a todos(as) o (d)sejo que (d)sejariam 1(d)sejo bom (d)sejando de ser (d)sejado!
    …100paranóia…

  5. maria georgina Disse:

    É bom de mais!

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