Sombras e sangue: Gr(!)tos de horror


Em 10 de abril de 2011 por linhaseversos

Chargista S. Salvador

Manchetes sensacionalistas, listas nominais de vítimas fatais, fotos poéticas que agregam sentimentos paradoxais – a dor da perda e a sensação de que a vida continua na rosa de beleza efêmera lançada sobre o túmulo.

O episódio trágico manchou a Escola Tasso da Silveira com sangue e sombras; manchou a história daquelas pessoas, personagens de uma cena de horror. As manchetes internacionais estamparam um tipo de brutalidade que até então não fazia parte do histórico brasileiro. Vem agora aquela busca por explicações ou bodes expiatórios.

Entramos para mais uma estatística. Qual é o cerne da questão: tráfico de armas, segurança nas escolas, psicopatia? No desespero de superar a audiência das concorrentes, as emissoras de rádio e televisão buscam explicações com especialistas, especulam, entrevistam, tentam humanizar o jornalismo; enfim, aproximar-se do público e ganhá-lo de qualquer maneira.

Não sou jornalista, tampouco psiquiatra ou neuro não sei o que das contas. O que me deixa indignada é o conjunto da obra.

O governador Sérgio Cabral chama o atirador de animal. (Pobres animais…)

No cemitério, a imprensa cerca parentes e amigos das vítimas, entrevista uma criança ainda muito sensibilizada, mas não consegue perceber o momento exato em que o diálogo precisava ser cessado.

Inúmeras passeatas: a tradução de um “sentimentalismo burguês”.

A secretária Cláudia Costin garante apoio psicológico às famílias das vítimas, aos alunos; anuncia reinvenção da escola – com pintura nova nas salas – e reinício das aulas no próximo dia dezoito. Vale a iniciativa, secretária, entretanto as coisas parecem exigir outras providências. A tinta não apaga a dor nem o medo. Aquela escola foi um cenário de terror.

Ademais, sessenta disparos é um número assustador, que aponta vulnerabilidade e exposição diante da falta de segurança. A escola municipal onde leciono, por exemplo, conta apenas com um senhor readaptado para “vigiar” o segundo portão, porque o primeiro fica liberado nos horários de entrada e saída. Além disso, não há controle mais rigoroso nos acessos, uma vez que não tem efetivo pra isso. Qualquer um que disser “Sou responsável por ‘fulano’” tem entrada liberada.

Sei que se trata de um episódio pontual, uma fato isolado, portanto não é rotineiro. Contudo, mais uma vez, de alguma maneira, o assunto “escola” vem à tona e tira meu sono, arrombando a porta do meu inconsciente, perturbando meus minutos de solidão contemplativa ou de alegria em família.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio, 10 de abril de 2011)

Comentários (1) | |

Um comentário to “Sombras e sangue: Gr(!)tos de horror”

  1. RICARDO BA$$MAN Disse:

    É verdade. As emissoras de TV, rádio e outros, simplesmente fazem a festa. Já estou tão enjuado de ligar o rádio , a tv e ver, rever, ouvir a mesma notícia. Até que daqui a alguns dias abafam o caso ou até o final de 2011 simplesmente suma das entes dos brasileiros; pois a “maioria dos brasileiros é movido a novelas, filmes, desenhos e miniséries etc..e não a informação!”
    Três policiais foram condecorados por impedirem uma catástrofe maior…porém, tem muito policial aí ainda que merecem condecorações e nada! Mais isto é um assunto longo!
    A verdade é que o Sr. Governador “fala pelos cutuvelos.”

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