Su(o)bversão


Em 13 de abril de 2011 por linhaseversos

Não sou professora

Catavento de ilusões

(Definitivamente)
A subversão está bordada a sangue
Na minha pele marcada
Por episódios pessoais

Sou “escrevedora”
Semeadora de ideias
Essa coisa de magistério
Veio a mim por eliminação

Não existe um curso para ser poeta
Nasce-se homem ou poeta
Ninguém se forma poeta
O ser poeta tem outra percepção das coisas
O ângulo é outro
O cálice é a embriaguez de pessoalidade
A distorção precisa de realidade

A lágrima faz um percurso diferente
Tem a nascente no coração
Porque é com ele que os olhos fazem fronteira
O leito se faz na garganta
E ela cumpre seu papel de túnel
Que vibra, contrai e expulsa.

Sou precoce desde os cinco anos de idade
Feita à base de pimenta e dendê
Minha mãe não acompanhava
A trajetória do meu olhar
Sempre transcendental
E demasiadamente observador

Lembro-me de palavras do Figueiredo
Lembro-me de fardas e farsas
Eu cantava “O bêbado e o equilibrista”
E visualizava sob viadutos
As manchas torturadas.

Éramos eu e o mundo:
Uma descoberta que eu fazia
Saboreando as flores do meu jardim
E banhando-me nas águas salgadas de Paraty.

Para mim não havia limites
O som de Hermeto Pascoal me levava
Aos cavaleiros templários
Era muito imaginativa pra isso
Lembro-me perfeitamente
Entre bicicletas e sorvetes
De Chaplin sentado ao lado do seu cão
E das palavras de Drummond
“O primeiro amor passou…”

Odeio mentiras
Amo fingimentos poéticos
Quero a Pasárgada
Não me enganei
Achei que poderia dar conta
Do fingimento no espaço que me cabe.

Rio ou mar: sou uma constante
Matematicamente incoerente
Tendo ao infinito de minhas ideias.

Desculpem-me pelas palavras cruéis
(às vezes)
Café com leite me enjoa
Quero meu vinho para me envenenar.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 13 de abril de 2011)

Comentários (5) | |

5 comentários to “Su(o)bversão”

  1. maria georgina Disse:

    Lindo! Um dia hei te ver em revistas, como ser pensante é claro.Bjs.

  2. rafaela Disse:

    *adorei o comentário da tia ‘geô’! rs

    cheguei cedo à facul; pensei: vou lá ‘tirar o atraso’ no blog da ju! =)
    lembrei q vc tinha citado este título ontem e, então, li…

    é mesmo lindo! mas… discordo [posso?]: não se nasce poeta; torna-se poeta.
    beauvoir dizia: não se nasce mulher; torna-se mulher…. [algo assim] sou mais afim dessa máxima.
    talvez não as circunstâncias, mas o teu olhar sobre elas, na [tua] vida, te fez poeta. e ser poeta é, também, muitas vezes, isso: estar pelo avesso – sub[uni]verso. 😉

    beijo, bonita!

  3. rafaela Disse:

    [dps volto para ler mais. o/ ]

  4. André Waltz Disse:

    Espero que um dia eu possa encontra-la em uma livraria entre champanhe e livros assinados,e que eu possa ganhar o meu.

    Parabéns seu site é fantástico.

    Voltarei mais vezes

  5. Juliana Izabeli Disse:

    Obrigada, André. Deus te ouça! rs

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