Ve(e)mente


Em 28 de janeiro de 2015 por linhaseversos

O homem que
Não é parte
De uma realidade
Não deve
Exatamente
Discuti-la
Ou julgá-la
Por fatos
fotos
Relatos.

É preciso
Vivenciá-la
Apurá-la
Humana
E cientificamente.
Senti-la
Percorrê-la
É preciso.
Quiçá ser
Por ela parido.

Texto é um dizer
A respeito do admirado
Segundo uma percepção.
Não a realidade
Absorvida, sentida, doída.
Não há impessoalidade
No olhar.
Não há neutralidade
No ser cultural.

A escolha nasce
De uma alma letrada
Não de um cérebro
Automatizado
As ideias
Estão além do plano
Do existir.
Ângulos
Molduras
Extra textualidades.

O científico e
O social por vezes
Parecem revelar
Homens
Que se alimentam
De nuvens.
(Já dizia o poeta.)
E a psique lhes reserva
Sombras de nuvens.

E o sujeito
Cria sua tese
Na expectativa de
Da imortalidade.
Irremediavelmente
É incapaz de se doar.
Não lhe é de destino.
Não lhe é de dever.
Sobre céus
Repousa a desconhecer.

Um anzol ou uma pinça
Reserva o objeto
Metonímico.
Absolutamente relativo.
Um eixo um fio um desafio.
Observa-o, queixoso.
O vento sopra para outra direção.
Um véu de soberania
Acarinha-lhe a face.
Esquece, então.

É preciso
Mastigar
Digerir
Excretar
Quebrar moléculas
De assunto
Em cena.
É preciso
Espreitar
O segundo.

E o não mistério
O quase óbvio
Sentido
Sobra
Sob céu
Sobre solos
Nem paraíso nem inferno
O purgatório
Para sempre
Nem margem nem leito.

“Deixa pra lá.”
Tudo é
-senão-
A matéria infeccionada.

(Juliana Izabeli Bulhões – Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2014)

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